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A Amamentação como Prioridade: Construindo Sistemas de Apoio Duradouros

Em um cenário global onde a importância da saúde e do bem-estar é constantemente enfatizada, a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) de 2025, juntamente com o 9º Agosto Dourado, chega com uma mensagem clara e incisiva: “Priorize a Amamentação. Crie Sistemas de Apoio Sustentáveis”. Esta iniciativa sublinha que a amamentação não é apenas uma escolha pessoal, mas uma necessidade fundamental para o desenvolvimento infantil, a saúde materna, a sustentabilidade ambiental e a economia. Paralelamente, questões cruciais como a qualidade do ar e o cuidado com o planeta, celebradas no Dia Internacional do Ar Limpo e no Dia Internacional da Mãe Terra, respectivamente, reforçam a ideia de que a vida e o bem-estar dependem de um ambiente saudável e de práticas que promovam a vida desde seus primeiros momentos. Assim como o ar puro é vital para a respiração contínua, o leite materno é o alimento ideal e insubstituível para o início da vida de um bebê, e seu fomento deveria ser uma prioridade inquestionável.

Contrariando as expectativas e os esforços globais, as estatísticas revelam uma lacuna preocupante: mais da metade das crianças não é amamentada exclusivamente até o sexto mês, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa realidade alarmante não pode ser atribuída à falta de informação, dado o volume de estudos, campanhas de conscientização e políticas públicas implementadas ao longo das décadas, como a licença-maternidade estendida e os bancos de leite humano. No entanto, a crescente influência do marketing agressivo por parte das indústrias de produtos substitutos do leite humano, que muitas vezes comprometem profissionais de saúde e utilizam influenciadores digitais, representa um desafio significativo. Enquanto as vendas de fórmulas infantis dispararam 750% em 13 anos (2006-2019), o aumento da amamentação exclusiva foi de modestos 8,6% no mesmo período, evidenciando a força desses obstáculos. Para reverter esse quadro, é imperativo que todos os setores da sociedade intensifiquem seus esforços para que a amamentação seja, de fato, uma prioridade em todas as esferas.

Para alcançar as metas da OMS de 50% de aleitamento materno exclusivo até o 6º mês até 2025 e 70% até 2030, a construção de “Sistemas de Apoio Sustentáveis” é essencial. Conforme destacado pela WABA (World Alliance for Breastfeeding Action), isso implica uma abordagem abrangente que garanta a cada mãe o suporte, o ambiente e os recursos necessários para amamentar com sucesso, desde o período pré-natal, com orientação qualificada de profissionais de saúde, até os dois primeiros anos de vida da criança ou mais. O apoio contínuo durante e após a internação hospitalar é fundamental, capacitando as mães a superar desafios, construir confiança e conciliar a amamentação com o retorno ao trabalho, especialmente frente à publicidade antiética. É um chamado para que a amamentação seja promovida não apenas em semanas ou meses específicos, mas de forma contínua, inclusiva e integrada, atravessando gerações e fronteiras sociais, beneficiando a todos: mães, bebês, famílias, sociedade e o meio ambiente.

A valorização da amamentação vai além de uma simples ação de saúde; é um pilar para um futuro mais saudável e sustentável. Quando priorizamos o aleitamento materno, estamos investindo na resiliência de nossas comunidades, na saúde das próximas gerações e no equilíbrio do nosso planeta. É um ato de amor e sabedoria que nos lembra da nossa interconexão com a natureza e com o próximo, impulsionando-nos a criar um mundo onde a vida floresça em plenitude e harmonia.