A prática de coletar e conservar o leite materno é uma necessidade crescente para muitas mães, seja pelo retorno ao trabalho, pela produção excessiva ou pelo desejo de ajudar outros bebês através da doação. Este processo, embora exija dedicação e atenção aos detalhes, é fundamental para assegurar que os pequenos recebam a nutrição mais completa e benéfica disponível. Compreender as técnicas corretas de extração, a seleção de recipientes adequados, os prazos de validade em diferentes condições de armazenamento e a forma correta de manipular o leite após a conservação é crucial para manter suas propriedades nutritivas e imunológicas intactas.
Especialistas e diretrizes de saúde reforçam que a correta extração e o armazenamento do leite materno são essenciais para evitar contaminações e preservar a qualidade do alimento. Existem métodos manuais e mecânicos para a extração. Antes de iniciar, é imperativo que a mãe higienize bem as mãos e os seios, utilize touca e máscara, e garanta que todos os utensílios, como frascos e bombas, estejam esterilizados. A pediatra Larissa Oliveira e a enfermeira obstetra Letícia Costa enfatizam que a preparação adequada do ambiente e da mãe é o primeiro passo para um processo seguro.
Para a extração manual, a técnica consiste em posicionar os dedos em formato de 'C' ao redor da aréola e realizar movimentos de compressão e liberação, evitando o deslizamento sobre a pele para prevenir lesões. Se optar por uma bomba, é vital escolher o funil do tamanho correto e iniciar com sucção suave, aumentando gradualmente até o nível tolerado. Massagear o seio durante a ordenha pode otimizar o fluxo de leite. A coleta deve ser feita diretamente no recipiente de armazenamento, que precisa ser resistente a variações de temperatura e livre de substâncias nocivas como BPA.
As opções de recipientes incluem frascos de vidro com tampa plástica, potes de plástico livres de BPA e sacos específicos para armazenamento de leite materno. A identificação dos frascos com data e hora da coleta é indispensável para controlar o prazo de validade. Quanto à conservação, o leite pode ser mantido em temperatura ambiente para consumo imediato, na geladeira por até 12 horas, ou congelado por até 15 dias, conforme as recomendações do Ministério da Saúde. É crucial não guardar o leite na porta da geladeira devido às flutuações de temperatura.
Para utilizar o leite congelado, o descongelamento ideal é na geladeira, de um dia para o outro. Em casos de urgência, pode-se usar o banho-maria (com o fogo apagado e sem ferver), mas nunca o micro-ondas, pois o calor excessivo pode degradar nutrientes e criar pontos quentes perigosos para o bebê. Após descongelado, o leite não deve ser recongelado e qualquer porção não consumida deve ser descartada. A temperatura ideal para oferecer o leite ao bebê é próxima aos 40°C, verificável pingando algumas gotas no pulso. Oferecer o leite em copinho ou colher nos primeiros meses ajuda a evitar a confusão de bicos.
O Brasil se destaca por possuir a maior e mais bem-estruturada rede de bancos de leite humano (BLH) do mundo, que são vitais para prematuros e bebês em situações de vulnerabilidade. Mulheres saudáveis, com produção excedente e exames negativos para certas doenças, podem se tornar doadoras. Ao contatar um BLH, a doadora receberá frascos esterilizados e orientações específicas para a coleta, que inclui descartar os primeiros jatos de leite. O leite doado pode ser armazenado congelado por até 10 dias antes de ser recolhido pela equipe do banco.
No dia a dia, algumas dicas práticas podem facilitar a rotina de extração e armazenamento. Criar um ambiente tranquilo para a ordenha, preferencialmente com algo que remeta ao bebê, como uma foto ou um cheirinho, pode estimular a produção. É recomendável armazenar o leite em pequenas porções, entre 60 e 100 ml, para minimizar o desperdício. Embora o leite materno possa se separar em camadas (gordura em cima e líquido embaixo) após o armazenamento, isso é normal; basta agitá-lo suavemente antes de usar. Se o leite apresentar cheiro rançoso, gosto azedo ou coloração estranha, deve ser descartado. Em caso de dúvidas, o ideal é sempre buscar orientação de um profissional de saúde ou do BLH mais próximo.
