A perda de um ente querido, além do impacto emocional profundo, muitas vezes acarreta perdas financeiras significativas para as famílias brasileiras. De acordo com um levantamento da plataforma Planeje Bem, especializada em planejamento sucessório, estima-se que valores consideráveis, variando entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, não são resgatados por desconhecimento. Esses montantes, designados como 'ativos invisíveis', englobam uma série de direitos e benefícios financeiros e sociais que o falecido possuía. A burocracia, o luto e a falta de informação contribuem para que esses recursos permaneçam esquecidos, apesar de serem acessíveis em muitos casos sem a necessidade de inventário, desde que se conheçam os procedimentos adequados e os prazos legais.
Entre os ativos mais frequentemente ignorados, destacam-se indenizações de seguros obrigatórios como o DPVAT, benefícios trabalhistas como FGTS, PIS/Pasep, e salários não recebidos, além de contas bancárias, investimentos e seguros de vida. Auxílios-funeral, milhas aéreas e saldos em carteiras virtuais também compõem essa lista de recursos negligenciados. Curiosamente, o perfil das pessoas que mais deixam de reivindicar esses valores são homens na faixa dos 25 aos 45 anos, muitos deles sobrinhos, filhos ou netos que, após os ritos iniciais do luto, não se aprofundam na gestão financeira do falecido. A inesperada natureza de algumas mortes, como as de acidentes de trânsito, intensifica a dificuldade em lidar com as formalidades, levando ao adiamento e, consequentemente, ao esquecimento desses direitos.
É fundamental que a sociedade brasileira e as famílias estejam mais informadas sobre esses 'ativos invisíveis', buscando orientação e apoio para garantir que os direitos dos falecidos sejam devidamente resgatados pelos seus herdeiros. A conscientização e a organização financeira prévia, através de plataformas e serviços especializados, podem transformar um momento de vulnerabilidade em uma oportunidade de mitigar as dificuldades financeiras. Ao superar a desinformação e a inércia, é possível assegurar que o legado financeiro de quem partiu beneficie aqueles que ficaram, trazendo um senso de ordem e justiça em meio à dor.
