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Aumento Alarmente: O Brasil Entre as Nações com Mais Crianças Não Vacinadas

A cobertura vacinal infantil global enfrenta um cenário preocupante, com um estudo recente apontando para um aumento no número de crianças que permanecem sem qualquer imunização essencial desde 2015. O Brasil, infelizmente, figura entre as oito nações mais afetadas por essa tendência alarmante, concentrando mais da metade dos 18 milhões de crianças que não receberam a 'dose zero'. Essa situação ressalta a urgência de reavaliar e fortalecer as estratégias de saúde pública para garantir a proteção das futuras gerações contra doenças evitáveis, uma vez que o progresso alcançado em décadas anteriores está sendo rapidamente desfeito.

A pesquisa publicada na renomada revista científica The Lancet trouxe à tona dados preocupantes sobre a estagnação na vacinação infantil. O levantamento indica que, embora tenha havido uma queda significativa no número de crianças não vacinadas entre 1980 e 2019 – de 60 milhões para 15 milhões –, essa melhora foi interrompida nos anos subsequentes. A interrupção dos serviços de saúde e a realocação de recursos durante a pandemia de COVID-19 contribuíram para a reversão desse progresso, resultando em taxas de imunização aquém dos níveis pré-pandemia.

A situação é crítica, com 21 dos 36 países mais desenvolvidos registrando declínio nas taxas de vacinação contra doenças como difteria, tétano, coqueluche, sarampo, poliomielite e tuberculose. A estimativa baseia-se na cobertura da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche), frequentemente administrada nos primeiros meses de vida. Dimas Covas, professor da USP e ex-diretor do Instituto Butantan, ressaltou em uma publicação no LinkedIn que mais de 60 milhões de crianças deixaram de ser vacinadas entre 2020 e 2023 devido à pandemia, levando ao reaparecimento de surtos em diversas regiões, inclusive em nações com alto desenvolvimento.

Diante desse quadro, as metas de imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030, que incluem a redução pela metade do número de crianças não vacinadas e o alcance de 90% de cobertura para vacinas-chave, parecem cada vez mais distantes. Covas alerta que, se a tendência atual persistir, apenas a vacina DTP poderá atingir essa meta. Ele enfatiza a necessidade premente de a América Latina, e especificamente o Brasil, reverterem essa situação, recuperando a posição de referência em cobertura vacinal que outrora ocuparam.

Para reverter essa tendência e salvar a vacinação, são necessárias medidas coordenadas e eficazes. É imperativo reforçar o financiamento para programas de vacinação em nível nacional, bem como restaurar a confiança da população através de lideranças locais e campanhas baseadas em evidências científicas. Além disso, é crucial desenvolver estratégias direcionadas para alcançar as crianças que não receberam nenhuma dose vacinal, e reintegrar a imunização no âmbito da atenção primária à saúde, com um planejamento territorial robusto. Somente com um esforço conjunto e um compromisso político renovado será possível proteger a saúde das crianças e evitar o ressurgimento de doenças preveníveis por vacinação.