O Brasil, durante sua presidência do Brics em 2025, decidiu não propor a criação de uma moeda comum entre os membros do grupo. Em vez disso, o país se concentrará na integração dos sistemas de pagamento para impulsionar o comércio e o investimento, ampliando o uso de moedas locais. Essa estratégia visa reduzir custos de transação e promover novas tecnologias, alinhadas aos padrões de organismos multilaterais como o Banco de Compensações Internacionais (BIS). A decisão foi confirmada por diversas fontes governamentais.
A iniciativa tem como objetivo principal melhorar a eficiência nas transações internacionais, evitando tensões diplomáticas e econômicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou recentemente o interesse em discutir alternativas ao dólar nas operações internacionais. No entanto, a criação de uma moeda compartilhada nunca esteve em discussão nas negociações técnicas do Brics. As sanções impostas à Rússia pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia intensificaram as conversas sobre a necessidade de alternativas.
A Fazenda e o Banco Central estão colaborando para desenvolver as propostas que serão apresentadas pelo Brasil nas reuniões do Brics. Uma das estratégias é a implementação de novas tecnologias, como o blockchain, para reduzir custos e tornar as transações mais eficientes. Além disso, o Brasil defende a interconexão de sistemas de pagamento, especialmente após o sucesso do Pix, que se tornou o meio de pagamento mais utilizado no país em menos de cinco anos.
O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) já opera com países vizinhos, permitindo transações diretas em reais sem a necessidade de câmbio em dólar. Embora seu uso ainda seja limitado, a integração de sistemas de pagamento instantâneo poderia tornar essas operações mais seguras, rápidas e baratas. Representantes do Brics se reunirão na África do Sul no final de fevereiro, durante os encontros do G20, onde o plano brasileiro será apresentado.
A narrativa de redução de custos e aumento da eficiência nas transações não visa confrontar nenhuma nação específica. Apesar das ameaças de tarifas de 100% feitas por Donald Trump contra qualquer iniciativa que reduza o papel do dólar, nenhum país pretende abandonar suas reservas em dólar. A estratégia busca principalmente promover inovações tecnológicas e financeiras, com benefícios indiretos para a economia global.
