O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o compromisso do Brasil em fortalecer a integração econômica e financeira na América Latina e no Caribe. Durante discurso na 9ª Cúpula da Celac, realizada em Tegucigalpa, capital de Honduras, Lula defendeu o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países membros. Além disso, ele anunciou o interesse de reincorporar o Brasil ao Convênio de Pagamentos Recíprocos da Aladi, um mecanismo que havia sido abandonado em 2019. O objetivo é ampliar a cooperação regional por meio de medidas que promovam maior independência cambial e incentivem o desenvolvimento conjunto.
Na última cúpula da Celac, o mandatário brasileiro destacou a necessidade de adotar estratégias inovadoras para reduzir as barreiras econômicas existentes entre os países latino-americanos e caribenhos. Uma dessas propostas é a reativação do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SPML), uma iniciativa conjunta entre bancos centrais da região que facilita o comércio sem depender de moedas estrangeiras como intermediárias. Ao permitir que empresas operem diretamente utilizando suas próprias moedas nacionais, o sistema busca minimizar riscos associados às flutuações cambiais internacionais.
A decisão de retornar ao convênio da Aladi reflete um movimento mais amplo em direção à integração regional sob o governo Lula. Este acordo permite aos países membros liquidar seus pagamentos bilaterais dentro de ciclos regulares de quatro meses, ajustando-se apenas os saldos finais ao término de cada período. A saída do Brasil desse esquema durante o governo anterior gerou preocupação sobre sua postura frente às questões regionais. Agora, o retorno simboliza uma retomada do engajamento ativo do país nesses fóruns multilaterais.
O tema da integração regional tem ganhado destaque desde o início do atual governo, sendo considerado uma prioridade estratégica. Em contraste com a gestão anterior, que optou por se retirar da Celac em 2020, justificando incongruências políticas, o novo governo tem enfatizado a importância de manter diálogos construtivos mesmo em contextos diversificados. Com aproximadamente 670 milhões de habitantes abrangidos pelos países membros da Celac, há grande potencial para consolidar parcerias duradouras e sustentáveis.
O discurso do presidente também incluiu referências ao fortalecimento das instituições financeiras regionais, como o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e o Fonplata. Esses organismos desempenham papéis cruciais no financiamento de projetos de infraestrutura e conectividade que beneficiam toda a região. Além disso, foram mencionadas cinco Rotas de Integração Sul-Americana, planejadas para integrar ainda mais as economias locais através de redes de transporte, energia e telecomunicações.
Com essas iniciativas, o Brasil sinaliza seu desejo de liderar um processo de transformação econômica e política no continente. A reintegração ao convênio da Aladi e o apoio ao SPML representam passos concretos rumo a uma maior autonomia regional, além de demonstrar a disposição do país em trabalhar colaborativamente para enfrentar desafios comuns. Essas ações devem inspirar outros países a seguir caminhos similares, consolidando assim uma nova era de cooperação no hemisfério sul.
