A moeda americana encerrou o dia com uma valorização de 0,66%, sendo negociada a R$ 5,72 na quarta-feira (19/02). Apesar desse avanço, o dólar registrou uma perda acumulada de 1,90% no mês e de 7,84% no ano frente ao real. Especialistas atribuem essa oscilação à influência dos mercados internacionais e às recentes decisões econômicas globais.
O comportamento da cotação do dólar no Brasil refletiu diretamente as tendências observadas no cenário internacional. Emerson Vieira Junior, especialista em câmbio da Convexa Investimentos, destaca que o fortalecimento da moeda norte-americana foi um fenômeno global. O índice DXY, que mede a força do dólar contra outras seis divisas de países desenvolvidos, também subiu durante o dia, alcançando 107,39 pontos às 17 horas.
Os investidores acompanharam atentamente a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. O documento revelou preocupações dos dirigentes do Fed com as políticas iniciais propostas pelo presidente Donald Trump, principalmente quanto aos possíveis impactos inflacionários das tarifas sobre importações. Essas medidas geraram incertezas no mercado financeiro.
No ambiente interno, Bruno Shahini, da fintech Nomad, ressaltou que o fluxo de dólares tem sido significativo em fevereiro, impulsionado por fatores como a diferença de juros entre o mercado brasileiro e internacional, o aumento nos preços das commodities e a bem-sucedida emissão de bonds do Tesouro Nacional, que captou US$ 2,5 bilhões no exterior. No entanto, esses elementos se atenuaram temporariamente, resultando em um ajuste técnico da moeda.
O desempenho da Bolsa de Valores brasileira (B3) acompanhou a dinâmica cambial, registrando uma queda de 0,96% e fechando em 127.308 pontos. Analistas explicam que o recuo do Ibovespa, principal indicador da B3, esteve alinhado aos mesmos fatores que contribuíram para a alta do dólar. Essa correlação evidencia a interconexão entre os diferentes setores do mercado financeiro.
