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Distúrbios do Sono na Infância e TDAH: Um Alerta para Pais

A dificuldade que muitas vezes os pais enfrentam para fazer seus filhos pequenos dormirem pode ser mais do que um desafio comum da parentalidade; pode ser um indício precoce de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Embora distúrbios do sono na infância sejam frequentes, especialistas alertam que a persistência dessas alterações pode estar correlacionada ao desenvolvimento do TDAH. Esta conexão, embora ainda em fase de pesquisa preliminar, sugere a importância de os pais estarem atentos a esses sinais, buscando orientação profissional caso observem padrões de sono irregulares ou dificuldades persistentes em seus filhos.

Durante o 17º Congresso Brasileiro de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), realizado em Porto Alegre, o psiquiatra Sérgio Nolasco, especializado em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Unicamp, enfatizou que distúrbios do sono são um sintoma frequente e precoce do TDAH nos primeiros anos de vida. Historicamente, o sono tem sido associado a diversas condições psiquiátricas, mas o TDAH se destaca como um dos transtornos mais intimamente ligados a esses problemas.

Um estudo conduzido na Suécia trouxe dados significativos sobre essa correlação. A pesquisa, que envolveu 2.518 crianças com idades entre 6 e 18 meses, revelou que aproximadamente um quarto das crianças que apresentavam problemas severos de sono na infância receberam um diagnóstico posterior de TDAH. No estudo, um grupo específico de 27 crianças com dificuldades graves e crônicas de sono e outro grupo de 27 crianças sem tais problemas foram acompanhados. Após 5,5 anos, sete das crianças do grupo com distúrbios do sono preencheram os critérios para o diagnóstico de TDAH, enquanto nenhuma do grupo controle recebeu o mesmo diagnóstico. Embora os dados ainda sejam considerados preliminares pelos pesquisadores, eles fornecem um alerta importante para os pais sobre a necessidade de observar e investigar as alterações no sono de seus filhos.

Nolasco explicou que indivíduos com TDAH frequentemente enfrentam desafios na gestão do funcionamento cerebral. O transtorno está associado a um atraso no desenvolvimento cortical, o processo de formação do córtex cerebral. Pacientes com TDAH relatam dificuldades para relaxar e interromper o fluxo de pensamentos, o que impacta diretamente a qualidade do sono. Além disso, investigações genéticas sugerem uma possível ligação entre o TDAH e genes que regulam os ritmos circadianos, também conhecidos como relógio biológico. Essa perspectiva genética adiciona uma camada de complexidade à compreensão das dificuldades de sono em pessoas com TDAH, indicando que a predisposição para ser mais vespertino (ter melhor desempenho à tarde) pode ser mais pronunciada e duradoura nesses indivíduos, não se limitando apenas à adolescência, como é comum na população geral.

A compreensão de que problemas de sono podem ser um indicador inicial de TDAH é crucial para uma intervenção precoce. Observar os padrões de sono dos bebês e crianças e buscar aconselhamento médico quando houver preocupações é fundamental para o bem-estar e o desenvolvimento saudável.