Finanças

Ex-Funcionária da Unicamp Envolvida em Caso de Desvio Milionário é Alvo Internacional

Uma ex-funcionária administrativa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se tornou o centro de uma investigação internacional após ser acusada de desviar milhões de reais destinados à pesquisa científica. Ligiane Marinho, que agora reside na Europa, enfrenta acusações de peculato e lavagem de dinheiro.

O caso ganhou notoriedade quando documentos exclusivos revelaram um padrão consistente de transações suspeitas entre 2018 e 2023. De acordo com as autoridades, a mulher utilizava notas fiscais falsas para justificar pagamentos fictícios relacionados a serviços laboratoriais. Esses recursos eram provenientes de projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A prática envolvia valores variáveis, mas sempre significativos, muitas vezes ultrapassando os limites normais de despesas institucionais.

A complexidade do esquema chamou atenção tanto no Brasil quanto no exterior. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Criminal de Campinas, a conta bancária pessoal da suspeita movimentou quase sete milhões de reais durante o período investigado. Os depósitos foram realizados diretamente por contas associadas aos programas de pesquisa apoiados financeiramente pela Fapesp. Esse detalhe levantou questões sobre possíveis falhas no sistema de controle interno das instituições envolvidas.

A busca por justiça neste caso não se limita apenas ao aspecto penal. O Ministério Público também está buscando responsabilizar civilmente os envolvidos. Apesar de algumas alegações de defesa sugerirem que os pesquisadores estavam cientes das práticas adotadas, o promotor Fernando Vianna destacou que ainda não há evidências conclusivas contra eles no contexto criminal. No entanto, medidas judiciais já estão sendo tomadas para garantir a devolução dos recursos desviados, incluindo indenizações substanciais.

Este episódio reforça a importância de sistemas robustos de auditoria e fiscalização dentro das instituições acadêmicas. A prevenção de fraudes depende de mecanismos claros e eficientes de verificação, além de uma cultura organizacional que valorize a integridade e a transparência. Embora o caso de Ligiane seja extremo, ele serve como alerta para outras organizações que lidam com grandes volumes de recursos públicos destinados ao avanço do conhecimento científico. A cooperação entre diferentes esferas governamentais, como demonstrado aqui com a atuação da Interpol, é essencial para combater crimes transnacionais e proteger o patrimônio coletivo.