Finanças

Ex-Funcionária da Unicamp Procurada por Desvio Milionário

Uma investigação revelou que uma ex-funcionária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acusada de desviar recursos destinados à pesquisa científica, adotou medidas para facilitar sua fuga do Brasil. Ligiane Marinho de Ávila, responsável por intermediar trâmites entre pesquisadores e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é suspeita de desviar R$ 5 milhões. Antes de deixar o país rumo à França, ela comprou moeda estrangeira como parte de um plano meticuloso de evasão.

O caso envolve não apenas o desvio dos recursos públicos, mas também questões relacionadas à responsabilidade na gestão financeira desses valores. A justiça já aceitou a denúncia contra a ex-servidora pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, enquanto as instituições envolvidas cobram indenizações e esclarecimentos sobre a negligência apontada no caso.

Preparativos de Fuga Revelam Planejamento Criminal

A fuga de Ligiane Marinho de Ávila demonstra um planejamento cuidadoso antes de sua partida do Brasil. Documentos mostram que ela realizou transações significativas em moedas estrangeiras seis meses antes de embarcar para a França. Essa compra foi feita logo após a descoberta inicial dos desvios durante uma auditoria interna conduzida pela Unicamp. O ato levanta suspeitas sobre a antecipação de sua possível demissão e subsequente investigação criminal.

As investigações indicam que Ligiane utilizou estratégias sofisticadas para encobrir seus passos antes de sair do país. Ao comprar moedas estrangeiras, ela provavelmente buscava estabelecer meios financeiros estáveis no exterior. Esse comportamento reforça a ideia de que ela agiu com intenção deliberada ao desviar os recursos públicos. Além disso, o uso de notas falsas emitidas por uma empresa criada por ela própria sugere que seu modus operandi era meticulosamente organizado. O Ministério Público paulista pediu a prisão preventiva e a quebra do sigilo bancário, ampliando a busca por evidências de suas atividades criminosas.

Controvérsia Sobre Gestão Financeira e Responsabilidades

O escândalo trouxe à tona debates sobre a gestão dos recursos públicos destinados à pesquisa científica. A Fapesp, que forneceu os fundos desviados, agora cobra indenização dos pesquisadores sob alegação de negligência. Por outro lado, esses acadêmicos argumentam serem vítimas colaterais da fraude perpetrada pela ex-funcionária. As investigações continuam para determinar quem mais pode ter contribuído ou sido negligente nesse processo.

Segundo o Ministério Público, a auditoria interna da Unicamp revelou que Ligiane manipulava os fluxos financeiros por meio de uma empresa fictícia, permitindo o desvio direto para sua conta pessoal. Isso gerou tensões entre as partes envolvidas: enquanto a Fapesp culpa os pesquisadores por falhas administrativas, eles reivindicam inocência e sugerem que eram desconhecidos das fraudes ocorridas. A universidade defende que a responsabilidade pela gestão financeira repousava nos próprios cientistas, embora defensores destes afirmem que não tinham controle suficiente sobre as operações financeiras realizadas pela ex-funcionária. O caso continua sendo analisado judicialmente, com implicações potencialmente graves para todos os envolvidos.