Um tribunal em Évora proferiu uma sentença de 14 meses de prisão, suspensa, contra o ex-motorista do antigo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. A condenação surge no âmbito de um caso de homicídio por negligência, após um atropelamento fatal na autoestrada A6, em junho de 2021. Este veredicto levanta questões sobre a responsabilidade partilhada em acidentes de trânsito.
O Tribunal de Évora argumentou que houve responsabilidade mútua no incidente. Metade da culpa foi atribuída ao motorista pela sua condução negligente e velocidade excessiva, estimada em 155 km/h. A outra metade da culpa recaiu sobre a vítima, um trabalhador, pela sua presença indevida na faixa de rodagem e pela sinalização deficiente dos trabalhos. A juíza Vanda Simões esclareceu que o motorista agiu com \"negligência inconsciente\", e não com \"negligência grosseira\", explicando que, mesmo a uma velocidade legal de 120 km/h, o acidente poderia ter sido evitado dada a reação adequada do condutor antes do impacto.
Para além da pena de prisão suspensa, o motorista foi inibido de conduzir por um período de nove meses e terá de pagar uma indemnização de aproximadamente 163 mil euros à família da vítima. A defesa já anunciou a intenção de recorrer da decisão, procurando reavaliar as conclusões do tribunal. Este caso sublinha a importância da cautela e do cumprimento das normas de segurança rodoviária, enfatizando que a responsabilidade em acidentes muitas vezes resulta de uma combinação de fatores e que a justiça procura atribuir as devidas culpas, mas também assegurar uma pena justa.
