Finanças

FIC FIDCs: Uma Nova Oportunidade de Investimento em Renda Fixa com Rentabilidade Aprimorada

Uma modalidade de investimento relativamente recente está ganhando destaque como uma opção interessante para quem busca diversificar sua carteira de renda fixa: os Fundos de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIC FIDCs). Estes fundos investem em Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), que por sua vez, adquirem dívidas de empresas com créditos a receber, como duplicatas e contratos. Essa estrutura inovadora permite que empresas captem recursos sem as altas taxas de juros tradicionais, enquanto oferecem aos investidores um potencial de retorno elevado dentro do universo da renda fixa.

Os FIDCs têm demonstrado um crescimento notável, com uma captação líquida de R$ 63 milhões apenas entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Angelo Belitardo, diretor de gestão da Hike Capital, destaca que os FIC FIDCs se sobressaem em termos de rentabilidade, podendo alcançar CDI + 2% ou até CDI + 3%. Segundo ele, esses fundos superam a maioria dos benchmarks, incluindo IMAP B, IPCA + 8 e IPCA + 10, com a vantagem do efeito dos juros compostos a longo prazo, que pode gerar um volume significativo de capital. Apenas as debêntures incentivadas rivalizam com os FIC FIDCs em termos de rentabilidade.

Paulo Morais, diretor de DCM da GCB Investimentos, explica que, enquanto produtos como CDBs e títulos do Tesouro Direto oferecem maior segurança e liquidez, os FIDCs proporcionam um potencial de retorno superior, pois estão atrelados a operações de crédito da economia real. Isso inclui recebíveis comerciais, financeiros ou imobiliários. Morais enfatiza que os FIC FIDCs são uma excelente opção complementar para a composição de carteiras, ajudando a equilibrar risco e retorno e a diversificar a exposição do investidor no segmento de renda fixa.

Historicamente, os FIDCs eram acessíveis apenas a investidores institucionais, como grandes corporações, fundos de pensão, seguradoras e bancos. No entanto, o surgimento dos FIC FIDCs democratizou o acesso a esse mercado, permitindo que investidores de varejo participem através desses veículos. Belitardo sugere que investidores com perfil conservador aloquem de 10% a 20% de sua carteira em FIC FIDCs, ressaltando a importância de investir por meio de gestoras ou distribuidoras de valores mobiliários registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que realizam análises criteriosas das milhares de operações de recebíveis.

Além da rentabilidade atrativa, os FIC FIDCs oferecem outros benefícios, como a isenção de come-cotas, um imposto antecipado e semestral cobrado em outros fundos, o que acelera o acúmulo de patrimônio. A cobrança do Imposto de Renda só ocorre no resgate da cota, desde que o fundo mantenha mais de 67% do patrimônio líquido em direitos creditórios. Outro ponto relevante é a crescente participação de investidores institucionais, que já somam mais de R$ 700 bilhões investidos nesta classe no Brasil. A liquidez, embora variável, pode ser relativamente rápida, com prazos de resgate de 30, 45, 60 ou 90 dias, dependendo do regulamento do fundo. A elevada pulverização dos recebíveis e as ferramentas de controle da inadimplência, como alto índice de subordinação e seguro de crédito, contribuem para a segurança. As taxas de administração, performance e gestão são geralmente arcadas pelos executivos com subordinação no fundo, não impactando diretamente a rentabilidade dos investidores.

Apesar dos atrativos, é crucial que os investidores estejam cientes dos riscos, especialmente o risco de fraude. Como o investidor de varejo não possui acesso direto a todas as carteiras dos FIDCs, a diligência na busca por informações é fundamental. É recomendável consultar a lâmina e o regulamento do fundo, bem como os relatórios periódicos da gestora. Verificar o registro da gestora na CVM, seu histórico e reputação é indispensável. Belitardo aconselha observar o índice de subordinação do fundo, idealmente em 30%, e um nível máximo de inadimplência de 6%. Muitas gestoras implementam mecanismos adicionais de proteção, como seguradoras de crédito ou até participação societária nas empresas, para mitigar riscos e proteger os investimentos.