O encontro de novos prefeitos e prefeitas trouxe à tona uma discussão importante sobre como as finanças solidárias e moedas sociais podem ser ferramentas eficazes para impulsionar a economia local. Fernando Zamban, diretor de Parcerias e Fomento da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), enfatizou que essas iniciativas surgiram de movimentos sociais e organizações comunitárias, visando superar as limitações do sistema financeiro tradicional em áreas periféricas e rurais. Ele destacou a importância dessas práticas na manutenção da riqueza dentro dos municípios, promovendo o desenvolvimento econômico e o acesso a serviços bancários para comunidades vulneráveis.
A implementação de moedas sociais municipais é um processo que começa com a decisão política local, seguido pela criação de um fundo garantidor e autorização do Banco Central. Essas moedas podem ser emitidas tanto em formato físico quanto digital, incentivando a circulação de recursos no comércio local. A integração dessas moedas em programas sociais, como renda básica e auxílio-alimentação, permite que os benefícios permaneçam na economia local, beneficiando diretamente a população.
Fernando Zamban apresentou quatro pilares fundamentais das finanças solidárias: bancos comunitários, moedas sociais, fundos solidários e cooperativas populares de crédito. Esses mecanismos estão sendo integrados para formar o Sistema Nacional de Finanças Solidárias, com destaque para a articulação com o governo federal para permitir que benefícios sociais sejam operados por bancos comunitários. Esta iniciativa será testada inicialmente em dois municípios antes de ser ampliada.
Joaquim Melo, coordenador do primeiro banco comunitário do Brasil, o Banco Palmas, explicou que atualmente existem 182 moedas sociais em circulação no país, impactando cerca de 250 mil pessoas e 25 mil estabelecimentos comerciais. As transações realizadas entre 2021 e 2024 movimentaram R$ 1 bilhão na economia local. O prefeito de Andiroba, Marcos Sertanejo, compartilhou sua experiência na criação e implementação de uma moeda social digital, a Aratu, que tem demonstrado crescimento expressivo no uso e adesão de empreendedores locais.
A democratização do acesso ao crédito e às ferramentas financeiras é crucial para fortalecer a economia local. Com o apoio dos governos municipais, as moedas sociais e os bancos comunitários oferecem soluções inovadoras que permitem que os recursos circulem internamente, beneficiando diretamente a população e promovendo o desenvolvimento sustentável das comunidades.
