A fotógrafa e artista Aleta Valente, de 39 anos, deu início a um projeto inovador e emocionante, intitulado \"Vale-Night\", que oferece um respiro valioso para mães solo no Rio de Janeiro. Ao se propor a cuidar dos filhos dessas mulheres, Aleta lhes proporciona uma noite de liberdade, sem tarefas domésticas ou o peso da culpa, permitindo que elas redescubram momentos de lazer e individualidade. Em troca, essas mães são convidadas a registrar suas experiências com câmeras analógicas, transformando suas \"noitadas\" em obras de arte que agora compõem uma exposição no Centro Cultural Justiça Federal.
Um Respiro para Mães Solo: A Iniciativa \"Vale-Night\" Transforma Vidas no Rio de Janeiro
No último mês de maio, em meio às celebrações do Dia das Mães, a artista Aleta Valente, de 39 anos, começou a refletir sobre o verdadeiro presente que uma mãe desejaria. Longe das campanhas publicitárias idealizadas, a resposta que emergiu foi clara: uma noite livre. Impulsionada por essa percepção, Aleta criou o projeto \"Vale-Night\", no qual ela mesma se torna a babá, cuidando dos filhos de mães solo no Rio de Janeiro. Em troca, pedia que as participantes usassem câmeras analógicas para documentar suas noites de liberdade.
Com recursos próprios, a artista adquiriu filmes fotográficos e estendeu o convite a amigas próximas, explicando a proposta e recolhendo as fotos após as experiências. A iniciativa cresceu e chamou a atenção da organização do FotoRio, um dos maiores festivais de fotografia da cidade. Atualmente, o projeto \"Vale-Night\" está em exibição no Centro Cultural Justiça Federal, com previsão de término em 8 de novembro.
Aleta descreve o projeto como uma \"troca de duas vias\": ela oferece a liberdade, e as mães contribuem com suas perspectivas únicas através das imagens. Mesmo com origens diversas, um padrão de liberdade e autoexpressão emerge nas fotografias. As mães aproveitaram a oportunidade de diversas formas: algumas foram dançar, outras festejar na Lapa, beber com amigos em bares ou até mesmo grafitar paredes. A artista destaca que o objetivo era justamente a ausência de julgamento, permitindo que as mães se divertissem sem culpa, um desafio comum na maternidade.
A ideia era dar total autonomia às participantes, tanto na escolha da programação quanto na forma de registro. Aleta enfatiza a importância do seu envolvimento direto com as crianças, trocando fraldas, preparando refeições e inventando atividades. Ela vê essa interação como essencial para a autenticidade do projeto, transformando uma simples \"noite de folga\" em uma experiência de conexão e empatia.
Aleta, conhecida por sua abordagem artística não convencional, sempre explorou a experiência feminina em seu trabalho. Sua própria jornada como mãe jovem, que ingressou na faculdade de Artes Plásticas estratégicamente, reflete sua busca por autonomia. Ela percebeu cedo que o lazer é frequentemente o primeiro sacrifício das mães. Por meio de trabalhos noturnos, ela encontrou uma forma de manter sua vida social e provou que a maternidade não precisa significar o fim das paixões e desejos pessoais.
O \"Vale-Night\" é uma extensão dessa filosofia, oferecendo a outras mães a chance de reacender seus sonhos e vontades, reafirmando que a vida continua vibrante e plena de possibilidades, mesmo após a chegada dos filhos. É um lembrete poderoso do direito inalienável de todas as mães de curtir a vida em seus próprios termos.
Este projeto ressalta a importância de comunidades de apoio para mães, especialmente as solo, e como iniciativas artísticas podem gerar discussões significativas sobre os desafios e as alegrias da maternidade. Ele celebra a força e a resiliência das mulheres, que, com um pouco de apoio, podem redescobrir-se e continuar a escrever suas próprias histórias de vida, sem culpas ou preconceitos.
