A iminente reforma tributária no Brasil, que visa simplificar o complexo sistema de impostos sobre consumo, pode, paradoxalmente, criar um cenário desafiador para muitas pequenas e médias empresas. O principal ponto de vulnerabilidade reside nas empresas do Simples Nacional que atuam no modelo B2B, ou seja, fornecem produtos ou serviços para outras companhias. Um estudo aprofundado do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) sinaliza que mais de 70% dessas empresas poderiam enfrentar uma perda significativa de competitividade, resultando em menos contratos e oportunidades de mercado. A transição para os novos impostos, IBS e CBS, a partir de 2026, promete alterar fundamentalmente a lógica dos créditos tributários, impactando diretamente a atratividade das empresas optantes pelo Simples.
Setores como tecnologia, confecção e logística são apontados como os mais suscetíveis a essas transformações, uma vez que grande parte de seus atores operam sob o regime simplificado e atendem a grandes corporações. A mudança na forma como os créditos de PIS e Cofins são calculados, passando a considerar o imposto efetivamente pago pelo fornecedor, é a raiz do problema. Isso poderia levar as empresas do Simples a não gerarem créditos suficientes para compensar os 28% que as empresas maiores pagarão, tornando-as menos vantajosas para contratação. Diante desse cenário, a urgência de as empresas buscarem assessoria e se reposicionarem estrategicamente é crucial para mitigar os riscos e garantir a sustentabilidade de seus negócios.
Reestruturação Tributária e a Vulnerabilidade do Simples Nacional
A reforma tributária brasileira, focada na simplificação dos impostos sobre consumo através da criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), introduzirá uma nova dinâmica que pode fragilizar as pequenas e médias empresas do Simples Nacional, especialmente aquelas que operam no formato B2B. A transição para esse novo sistema, que começa em 2026 e se estende até 2033, modifica fundamentalmente a maneira como os créditos tributários são gerados e utilizados. Atualmente, os créditos de PIS e Cofins são calculados em 9,25% sobre o valor da nota fiscal, independentemente do regime tributário do fornecedor. Contudo, com a reforma, o crédito será proporcional ao imposto pago pelo fornecedor, uma mudança que coloca as empresas do Simples em desvantagem.
Para as empresas enquadradas no Simples Nacional, essa alteração significa que elas não conseguirão gerar créditos tributários suficientes para compensar os 28% que as empresas do Lucro Real ou Presumido irão pagar. Essa assimetria pode rapidamente reduzir seu apelo como fornecedoras, levando à perda de contratos e, consequentemente, de sua fatia de mercado. Embora a reforma vise a equidade, ela inadvertidamente expõe uma lacuna para as empresas B2B do Simples, que precisam urgentemente reavaliar suas estratégias e considerar a readequação de seus regimes tributários para se manterem competitivas. A inação pode resultar em erosão de sua base de clientes e em um declínio irreversível em sua competitividade.
Setores Mais Afetados e o Apelo por Ação Estratégica
A análise do IBPT destaca que mais de 70% das empresas no Simples Nacional operam no modelo B2B, não vendendo diretamente ao consumidor final, o que as torna particularmente suscetíveis aos efeitos da reforma. Os setores de tecnologia e serviços digitais, confecção e logística e transporte de cargas são citados como os mais vulneráveis. Muitas empresas de TI no Simples atendem grandes corporações que, no novo cenário, buscarão fornecedores que gerem mais créditos tributários. Similarmente, o segmento de confecções, com 84,6% das empresas do Simples fornecendo para lojistas, e o de logística, com 62,3% das empresas no Simples, verão seus serviços se tornarem menos atraentes para indústrias e grandes clientes, que priorizarão a capacidade de recuperação de créditos.
A urgência de uma reavaliação estratégica é premente. Enquanto as empresas B2C do Simples podem continuar a se beneficiar do regime, as B2B necessitam de assessoria especializada para navegar pelas complexidades do novo sistema. Isso inclui desde a revisão de contratos até o planejamento tributário, e, em alguns casos, a migração para regimes como Lucro Real ou Presumido, que oferecem maior flexibilidade na geração de créditos. Além das ações individuais, há um chamado para a mobilização coletiva. É imperativo que os empresários se conscientizem sobre os riscos, engajem-se em debates com entidades representativas e busquem ativamente soluções colaborativas para assegurar a sustentabilidade e a relevância das pequenas empresas no mercado brasileiro pós-reforma tributária.
