Finanças

Intenção de Aquisição de Imóveis Atinge Mínimo Histórico Desde 2019, Aponta Estudo Recente

O mercado imobiliário brasileiro atravessa um período de significativa desaceleração na intenção de compra, marcando o patamar mais baixo desde 2019. Enquanto isso, o número de transações com descontos e a participação de investidores aumentam, delineando um cenário de cautela e reajuste de expectativas para o setor. A dinâmica entre custos de crédito elevados e a percepção dos preços atuais molda as decisões dos consumidores e define o ritmo das negociações.

Panorama Atual do Mercado Imobiliário Brasileiro

No segundo trimestre de 2025, o Brasil testemunhou uma notável retração na intenção de compra de imóveis, conforme dados da pesquisa \"Raio-X FipeZAP\". O levantamento, que consultou 730 indivíduos entre os dias 12 de julho e 3 de agosto, revelou que apenas 33% dos participantes planejam adquirir uma propriedade nos próximos três meses. Este é o índice mais baixo registrado desde 2019, indicando um período de grande cautela no setor.

Apesar da diminuição na intenção de compra, houve um ligeiro crescimento na atuação de compradores efetivos, aqueles que já concretizaram uma aquisição nos últimos doze meses, com um aumento de 12% para 13% em comparação ao trimestre anterior. Entre esses compradores ativos, uma expressiva maioria de 71% optou por imóveis usados, ressaltando uma preferência do mercado por propriedades já existentes. O segmento de investidores também ganhou destaque, saltando de 31% para 43% do total de compradores. A busca por imóveis para renda de aluguel dominou as intenções de investimento, representando 52% das operações, embora a revenda de propriedades tenha crescido de 26% para 30%.

A prática de negociação de preços tornou-se mais comum, com 66% das transações no primeiro semestre de 2025 envolvendo algum tipo de desconto, um aumento em relação aos 63% registrados no final de 2024. O abatimento médio se manteve entre 6% e 7%, podendo atingir 10% quando se consideram apenas as vendas abaixo do valor inicialmente anunciado. A percepção geral sobre os preços também mostra ajustes; embora 71% dos entrevistados ainda considerem os valores \"altos ou muito altos\", esse percentual diminuiu em comparação aos 74% de 2024. Paralelamente, a parcela de consumidores que veem preços \"baixos ou muito baixos\" aumentou de 3% para 6%, sugerindo que oportunidades de compra mais atrativas podem estar emergindo. Para os próximos doze meses, 42% dos entrevistados preveem um aumento nominal nos preços, um recuo em relação aos 46% do ano anterior, com uma expectativa média de valorização de 2,7% até meados de 2026. A crença na estabilidade dos preços cresceu para 27%, enquanto 11% dos participantes esperam uma queda.

A análise conjunta desses fatores revela um mercado em transição, onde os elevados custos de crédito e a cautela do consumidor são as principais forças motrizes. A conciliação entre as expectativas de preço, a renda disponível e as taxas de juros continuará a influenciar a demanda e a oferta no curto e médio prazo.

A recente pesquisa do FipeZAP acende um alerta sobre a confiança do consumidor no mercado imobiliário. Como observadores, percebemos que o cenário atual, marcado por juros elevados e a consequente elevação do custo do crédito, está diretamente relacionado a essa cautela. É fundamental que as políticas econômicas busquem um equilíbrio que favoreça a retomada do poder de compra e estimule investimentos sustentáveis, sem desconsiderar a necessidade de estabilidade econômica. Para os futuros compradores, a paciência e uma análise criteriosa das oportunidades podem ser as chaves para navegar neste período desafiador e encontrar as melhores condições de aquisição.