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A Jornada de Resiliência de Daiana Garbin e Tiago Leifert: Conscientização e Apoio na Luta contra o Retinoblastoma Infantil

Em 2021, a vida de Daiana Garbin e Tiago Leifert foi impactada por uma notícia devastadora: sua filha, Lua, então com 11 meses, foi diagnosticada com retinoblastoma, um raro câncer de retina. Diante dessa realidade, o casal optou por canalizar a preocupação e o receio em uma força propulsora para auxiliar outras famílias em situação semelhante no Brasil. Eles abraçaram a missão de disseminar informações cruciais sobre a doença, promovendo a detecção precoce e garantindo que todas as crianças afetadas tenham acesso ao tratamento adequado. Esta iniciativa, profundamente enraizada em sua experiência pessoal, reflete um compromisso inabalável com a saúde e o bem-estar infantil, transformando um momento de adversidade em uma plataforma de esperança e ação.

Daiana Garbin revelou que a decisão de tornar pública a condição de saúde de sua filha, Lua, que hoje tem quatro anos, não foi trivial. Ela inicialmente relutou em compartilhar a informação, mas seu marido, Tiago, a fez refletir sobre a importância de sua experiência para outras famílias. Ele questionou: \"Enquanto mantivermos silêncio, há crianças sofrendo com este câncer e suas mães desconhecendo a doença. Não teríamos nós mesmos desejado ouvir sobre isso de alguém em posição de visibilidade?\" Essa perspectiva alterou radicalmente a percepção de Daiana, que compreendeu a responsabilidade e a oportunidade de usar sua história para o bem maior. Essa epifania impulsionou o casal a lançar a campanha \"De Olho nos Olhinhos\" e fundar uma organização sem fins lucrativos. O objetivo primordial é educar os pais sobre os sinais de alerta do retinoblastoma, como a leucocoria (um reflexo branco na pupila visível em fotos com flash), estrabismo e diminuição da acuidade visual. Este câncer, embora incomum, representa 3% dos casos de câncer em crianças. Daiana enfatiza que sua dedicação e a de Tiago não cessarão enquanto todas as crianças brasileiras com retinoblastoma não tiverem garantido o mesmo padrão de cuidado que sua filha recebeu, reiterando que o tratamento via Sistema Único de Saúde (SUS) é um direito universal, abrangendo quimioterapia e equipamentos necessários.

Quase quatro anos após o diagnóstico inicial e o tratamento, Daiana e Tiago celebram a recuperação e o desenvolvimento de Lua, que hoje desfruta de uma infância normal, prestes a completar cinco anos. No entanto, o rigoroso acompanhamento médico continua, dada a natureza insidiosa do retinoblastoma e o risco de recidiva até os cinco ou seis anos de idade. A jornalista sublinha a importância de exames frequentes, pois a doença exige vigilância constante. Ela ressalta que, para eles, momentos que seriam rotineiros para outras famílias, como levar Lua à escola ou vê-la brincar no parque, são vivenciados com imensa gratidão e emoção, pois são conquistas preciosas após um período de intensa luta contra o câncer e os desafios da quimioterapia. Daiana compartilha que a maternidade, especialmente diante da adversidade, a ensinou a valorizar o presente e a encontrar alegria nas pequenas coisas, como uma casa cheia de brinquedos.

A experiência da maternidade e a jornada de Lua com a doença tiveram um impacto profundo na vida de Daiana. Ela havia escrito um livro, \"A Vida Perfeita Não Existe\", antes de engravidar, que já a preparava para uma visão mais realista e menos idealizada da maternidade. Esta perspectiva se tornou um pilar fundamental para enfrentar os desafios do tratamento de Lua. Daiana, que se tornou mãe aos 38 anos, atribui à terapia e ao trabalho com saúde mental a capacidade de evitar a \"armadilha da idealização\", tanto em relação à maternidade quanto à perfeição da criança. Ela se inspirou no conceito do psicanalista Donald Winnicott sobre a \"mãe suficientemente boa\", que se esforça para fazer o melhor, mas reconhece suas imperfeições. Esta filosofia a auxiliou enormemente durante a gravidez e, crucialmente, ao longo do tratamento da filha. A questão da comunicação com Lua sobre sua doença é tratada com sensibilidade e cautela. Seguindo orientações médicas, os pais não antecipam informações, mas respondem às perguntas de Lua de forma apropriada à sua idade, priorizando sua privacidade e a protegendo da exposição pública excessiva. A campanha \"De Olho nos Olhinhos\" é uma iniciativa dos pais para pais, visando conscientizar sobre os sintomas sem violar a intimidade de sua filha. Essa abordagem cautelosa demonstra o profundo respeito e amor pela filha, garantindo que ela tenha o controle de sua própria narrativa no futuro.

A recepção do público à iniciativa de Daiana e Tiago foi extraordinária, com milhões de visualizações e inúmeras mensagens de apoio, transformando o ato de compartilhar sua história em uma poderosa corrente de solidariedade. Esse engajamento massivo reforça a importância da campanha e da ONG, que já auxiliaram diversas famílias a buscar diagnóstico e tratamento para o retinoblastoma. A meta ambiciosa é erradicar as mortes por essa doença no Brasil, uma vez que muitos casos ainda são descobertos em estágios avançados. Para isso, a campanha intensificará suas ações em setembro, com eventos por todo o país, utilizando diversas plataformas para alcançar um público amplo. Daiana e Tiago, que viraram personagens de desenho animado para a campanha, contam com o apoio de profissionais de saúde e milhares de voluntários para disseminar informações vitais sobre os sintomas da doença. Acredita-se que a falta de informação ainda é um obstáculo significativo, pois muitas famílias desconhecem os sinais do câncer infantil, especialmente o retinoblastoma. Eles enfatizam que, embora o câncer infantil seja raro, reconhecer os sintomas precocemente – como o reflexo branco nos olhos e o estrabismo – é crucial, pois a taxa de cura do retinoblastoma pode atingir 90% se diagnosticado a tempo. A ONG oferece suporte, encaminhando famílias para centros especializados e auxiliando na burocracia para acesso a tratamentos gratuitos, como o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). A jornada de Daiana e Tiago não é apenas sobre a superação pessoal, mas sobre transformar a adversidade em um legado de conscientização e apoio, buscando garantir que nenhuma criança sofra desnecessariamente por falta de informação ou acesso a tratamento.

A experiência da maternidade, especialmente diante dos desafios de saúde enfrentados por Lua, trouxe a Daiana Garbin um profundo autoconhecimento e uma força interior inesperada. Ela revela que este percurso a ensinou a amar a si mesma, a construir autoconfiança e a reconhecer sua própria capacidade, superando uma longa batalha contra a autoaversão e a busca incessante pela perfeição. Este aprendizado transformador a inspirou a escrever o livro infantil \"Muitas Belezas\", que aborda a diversidade dos corpos e a importância da autoaceitação. A obra busca empoderar crianças a cultivarem uma relação saudável com seus corpos e a celebrarem a individualidade, contrastando com as pressões estéticas que a própria autora vivenciou. Através de personagens caninos com diferentes características físicas e personalidades, o livro ensina sobre inclusão, respeito e a valorização das múltiplas formas de beleza e das diferenças, incluindo deficiências. A colaboração com a Dra. Ana Clara Florese, sua psiquiatra e agora parceira profissional, reforça a mensagem de que o autocuidado e a saúde mental são fundamentais, não apenas para o indivíduo, mas também para educar as futuras gerações a construir uma relação positiva e pacífica com seus corpos e com o mundo. O livro não é apenas uma ferramenta para as crianças, mas também um guia para pais e educadores, incentivando um diálogo aberto sobre autoimagem, autoestima e como apoiar o desenvolvimento emocional e mental dos filhos, preparando-os para os desafios da vida com resiliência e amor próprio.