A ONG Abrace a Serra da Moeda conduz há 18 anos um protesto que busca conscientizar sobre a preservação dos recursos hídricos e das nascentes na região. Este ano, espera-se reunir cerca de três mil pessoas em uma atividade marcada para o dia 21 de abril, no topo da serra, em Brumadinho. Sob o tema "A água nos une, juntos pela vida", o evento inclui a formação de um cordão humano às 12h, além de apresentações culturais regionais. Entre os principais alertas estão os impactos ambientais causados por grandes corporações mineradoras, como a Vale e a Vallourec, além do projeto imobiliário CSul Lagoa dos Ingleses.
No coração da Serra da Moeda, localizada entre municípios mineiros, as preocupações com a mineração persistem há décadas. Beatriz Vignolo, presidente da ONG organizadora, destaca duas operações minerárias problemáticas: a Serrinha, adquirida recentemente pela Vale, e a Mina Pau Branco, cuja intensificação trouxe riscos significativos à comunidade de Piedade do Paraopeba. Estudos hidrogeológicos realizados pela UFMG revelam que, entre 1999 e 2019, o aquífero Cauê sofreu um rebaixamento médio de 90 metros, com projeções alarmantes até 2039 caso não sejam tomadas medidas preventivas pelos órgãos responsáveis.
Além disso, a comunidade enfrenta desafios históricos relacionados ao consumo excessivo de água pelas indústrias locais. Um exemplo é a fábrica da Coca-Cola em Itabirito, que extrai mais de dois milhões de metros cúbicos mensais, gerando escassez em áreas próximas. Embora um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) tenha sido firmado para mitigar os danos, questões como a falta de participação comunitária e a alocação inadequada dos recursos compensatórios ainda permanecem pendentes.
Outra ameaça destacada durante o protesto é o planejado complexo habitacional CSul Lagoa dos Ingleses, que pretende abrigar 200 mil pessoas. A ausência de estudos adequados sobre seu impacto no aquífero local tem levado a questionamentos legais por parte da ONG e do Ministério Público. Enquanto isso, as consequências socioambientais desses empreendimentos continuam sendo sentidas principalmente pelas populações locais, que dependem diretamente dessas fontes hídricas.
O ato simbólico realizado na próxima segunda-feira visa amplificar essas vozes, unindo forças entre autoridades e sociedade civil. Por meio de manifestações artísticas e discursos, a iniciativa pretende chamar atenção para os riscos futuros e incentivar políticas públicas mais sustentáveis. Com apoio logístico oferecido pela própria ONG, moradores de diferentes regiões serão transportados gratuitamente para participar do evento.
Diante de tantos desafios, a mobilização coletiva surge como ferramenta crucial para proteger a biodiversidade e garantir o acesso justo aos recursos naturais. A data marca não apenas um lembrete sobre os perigos presentes, mas também uma oportunidade para repensar práticas econômicas que colocam em risco o equilíbrio ambiental da região. Os esforços conjuntos visam construir um futuro mais resiliente, onde a conservação da água seja prioridade máxima.
