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Mitos e verdades: A eficácia do leite materno em cuidados com bebês

A recente viralização de um vídeo no TikTok, onde uma mãe demonstra o uso de leite materno para tratar a pele e os cabelos de sua filha, gerou um intenso debate sobre a real eficácia dessa prática. Embora a gordura presente no leite possa proporcionar um brilho momentâneo aos fios e uma ação antimicrobiana na pele, a comunidade científica ainda não comprova que ele seja superior a produtos específicos. A dermatologista Paula Azevedo adverte para a importância de um armazenamento correto e da escolha de produtos apropriados para a idade do bebê, sempre priorizando a segurança e a saúde dos pequenos.

Esclarecimentos sobre o uso do leite materno em rotinas de beleza para bebês

Nos últimos tempos, um vídeo de uma mãe no TikTok, usuária @liyana_world, viralizou ao mostrar seu ritual de beleza para a filha, Liyana. A mãe borrifa leite materno nos cabelos da bebê para reduzir o frizz e dar brilho, e também o aplica no rosto com algodão, alegando hidratação e tratamento de condições como acne e eczema. Com mais de 5,5 milhões de visualizações, a prática gerou dúvidas sobre sua validade.

A dermatologista Paula Azevedo, questionada sobre o assunto, explicou que alguns dos benefícios podem ter fundamento. Segundo a especialista, a gordura do leite materno pode, de fato, conferir um brilho temporário aos cabelos, selando os fios. Contudo, devido à composição dos cabelos ser primariamente queratina, não há evidências de um benefício a longo prazo para a saúde capilar. Para a pele, a situação é um pouco diferente. Além dos óleos e gorduras, o leite materno possui propriedades antimicrobianas, conforme apontam alguns estudos. Ele pode formar uma película protetora, auxiliando na manutenção da hidratação da pele, de maneira similar à aplicação de um hidratante logo após o banho.

A Dra. Azevedo também esclareceu que não há pesquisas que comprovem que o leite materno seja mais eficaz do que hidratantes convencionais. No entanto, o uso é considerado seguro, já que o leite é um produto natural, estéril e sem conservantes ao sair do seio materno, não apresentando riscos de irritação para a pele ou couro cabeludo. A ressalva importante reside no armazenamento: diferente dos leites industrializados, o leite materno perde rapidamente suas propriedades se não for refrigerado corretamente.

A dermatologista enfatiza que, em condições normais, bebês não necessitam de hidratação capilar, exceto em casos de crostas no couro cabeludo, onde óleos específicos podem ser usados para remoção. O mesmo se aplica à pele, salvo em casos de dermatite ou ressecamento severo. Por fim, ela aconselha a utilização de produtos hipoalergênicos e com fórmulas leves, desenvolvidos especificamente para a faixa etária infantil, uma vez que cosméticos para adultos podem ser irritantes para a pele sensível dos bebês.

Este caso nos faz refletir sobre a proliferação de "dicas" e tendências nas redes sociais, especialmente quando se trata da saúde infantil. Embora o leite materno seja um alimento de valor inestimável e com muitas propriedades benéficas, é crucial que os pais busquem sempre orientação profissional e se baseiem em evidências científicas antes de adotar práticas de cuidado. A dermatologista Paula Azevedo nos lembra da importância de priorizar produtos formulados e testados para bebês, que garantam a segurança e a eficácia necessárias para a pele e os cabelos delicados dos pequenos, evitando riscos desnecessários.