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O Fenômeno Wandinha: Por Que a Anti-Heroína Conquista o Coração das Crianças?

A personagem Wandinha Addams, conhecida por sua aura sombria, vestimentas pretas e as icônicas tranças, conquistou o coração do público infantil, transformando-se em um verdadeiro fenômeno desde o lançamento da série da Netflix em 2022. Sua popularidade transcendeu as telas, inspirando fantasias, temas de festas e até coreografias virais. Com a chegada da segunda parte da nova temporada, a expectativa em torno de Wandinha só cresce, consolidando-a como uma figura de grande influência no universo infantil, mesmo diante da sua temática mais densa e adulta.

Apesar de seu sucesso inegável entre as crianças, é crucial ressaltar que a série “Wandinha” não é originalmente destinada a esse público. Pouco após sua estreia, a classificação indicativa foi elevada de 12 para 16 anos, devido à presença de cenas de violência. Contudo, essa mudança não impediu que espectadores mais jovens se sentissem atraídos e cativados pela narrativa e pela singularidade da protagonista. Essa popularidade inesperada levanta um questionamento intrigante: por que uma personagem com um ar tão gótico e macabro se tornou tão querida entre as crianças, que geralmente se identificam com heroínas mais humorísticas e simpáticas?

A psicóloga e psicanalista Aline Lima oferece uma perspectiva interessante sobre esse fenômeno. Ela explica que a atração das crianças por Wandinha reside justamente no fato de a personagem não se esquivar de elementos que, em um contexto infantil tradicional, seriam considerados assustadores, como a escuridão, monstros e a morte. Em vez de fugir desses temas, Wandinha os abraça, explorando impulsos socialmente reprimidos, como o desconhecido e a transgressão, sem, no entanto, eliminá-los. Essa abordagem permite que a personagem reconheça, aceite e integre esses aspectos à sua própria identidade, apresentando-se como um indivíduo mais complexo e autêntico.

Para a especialista, essa característica libertadora é o que a torna tão atraente para o público infantil. Aline Lima argumenta que figuras como Wandinha proporcionam às crianças um refúgio simbólico, um espaço seguro onde elas podem expressar livremente partes de si mesmas que, no dia a dia, poderiam ser reprimidas por medo de punição ou rejeição. A complexidade de Wandinha, portanto, dialoga com uma fase da infância em que as crianças estão em busca de autoconhecimento e tentando definir quem são e quem desejam ser. A personagem, de certa forma, concede uma “permissão imaginária” para que explorem a totalidade de seu ser de maneira segura.

Com a estreia da segunda temporada, o desejo das crianças de assistir à série é natural. Apesar da classificação indicativa de 16 anos, não há uma proibição explícita para que crianças mais novas assistam. No entanto, Aline Lima aconselha os pais a considerarem alguns pontos importantes. Ela desaconselha a exibição para crianças menores de 12 anos, pois nessa idade, o repertório psíquico ainda não está totalmente desenvolvido para processar conteúdos sensíveis como violência e pressão social, o que poderia levar a uma compreensão distorcida da realidade. Para crianças a partir dos 12 anos, a maturidade emocional e a familiaridade com o gênero devem ser avaliadas. Além disso, a psicóloga enfatiza a importância de os pais assistirem junto aos filhos, se possível, para contextualizar o conteúdo, monitorar as reações e, se necessário, intervir, garantindo uma experiência segura e educativa.