O cenário corporativo brasileiro demonstra um amadurecimento notável, impulsionado por uma maior diversidade e abordagens inovadoras na gestão de talentos. Este progresso se reflete diretamente nos resultados financeiros das organizações. Conforme o estudo \"As 175 Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em 2025\", conduzido pelo Great Place To Work (GPTW), as empresas reconhecidas registraram um crescimento médio de 14% em 2024, um número que supera em 4,1 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Este crescimento significativo das empresas mais bem avaliadas sublinha a importância de uma cultura de trabalho robusta e centrada no ser humano. Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil, enfatiza que a sustentabilidade e o avanço econômico e humano do país são impulsionados por organizações que priorizam seus colaboradores. A pesquisa, que analisou mais de 5 mil empresas e impactou cerca de 5 milhões de trabalhadores, revela que o foco em pessoas e em um ambiente de confiança são pilares para o desenvolvimento e o sucesso contínuo.
Um dos aspectos mais interessantes revelados pelo estudo de 2025 é o gradual envelhecimento da força de trabalho. Houve uma redução na proporção de profissionais com até 34 anos, que passou de 53% em 2022 para 49%, enquanto o grupo acima de 45 anos registrou um aumento de 16% para 19%. A maior parte dos colaboradores, cerca de dois terços, ainda se concentra na faixa etária entre 26 e 44 anos. Essa mudança indica uma maior valorização da experiência profissional e uma tendência de retenção de talentos em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente.
A presença feminina no ambiente corporativo continua em ascensão, com um aumento constante em todos os níveis hierárquicos. As mulheres já representam 43% da força de trabalho nas empresas premiadas, alinhando-se à média nacional. Em posições de liderança, a participação feminina cresceu 5 pontos percentuais, atingindo 32%. Embora a alta liderança ainda apresente desequilíbrio, a proporção de mulheres chegou a 27%. No nível de CEOs, as mulheres ocupam 10% dos cargos, um avanço significativo em relação ao ciclo anterior, segundo o relatório do GPTW Brasil. A pesquisa também aponta que a representatividade feminina é mais acentuada em empresas de médio porte e em setores como saúde e educação.
Apesar dos avanços em gênero, a pesquisa destaca a necessidade de maior inclusão racial. Entre os colaboradores, 38% se identificam como negros, sendo 9% pretos e 29% pardos, em contraste com a média nacional de 56%. A maioria, 59%, é de cor branca, e apenas 1% se declara indígena. O GPTW ressalta que empresas com políticas estruturadas para a promoção interna e a diversidade racial demonstram um desempenho superior no Trust Index, um indicador que mede a confiança dos colaboradores na liderança.
Os setores de serviços financeiros e seguros, com 23%, e tecnologia da informação, com 22%, lideram o ranking das melhores empresas para trabalhar. Em seguida, aparecem produção e manufatura (13%) e serviços profissionais (10%). São Paulo mantém a dianteira em número de empresas reconhecidas, mas a região Nordeste se destacou em 2025, com um aumento expressivo de três para sete estados representados, evidenciando a disseminação da cultura de confiança pelo país. O estudo também aponta uma forte correlação entre o crescimento das empresas e a inovação, com organizações em estágio avançado de inovação apresentando um crescimento médio de 25% no faturamento.
A oportunidade de crescimento profissional permanece como o principal fator de permanência dos colaboradores (39%), seguida pela qualidade de vida (30%) e o alinhamento de valores (15%), superando a remuneração e a estabilidade. Esses dados reforçam a ideia de que cuidar das pessoas não é apenas uma prática socialmente responsável, mas também uma estratégia econômica eficaz. Empresas que cultivam uma cultura sólida, com lideranças diversas e um propósito bem definido, conseguem atrair e reter talentos, resultando em desempenho superior e crescimento sustentável.
