Apesar de 2025 ter sido um ano de glória para o futebol português em algumas frentes, com a conquista da Liga das Nações pela seleção principal e o título europeu Sub-17, o panorama geral não esteve isento de grandes decepções. As prestações aquém do esperado das equipas de Sub-21 e da seleção feminina no Euro 2025 sublinham a urgência de uma reavaliação estratégica. Este cenário levanta a questão inevitável sobre a continuidade dos responsáveis técnicos, apontando para a necessidade premente de uma renovação nas lideranças de Francisco Neto e Rui Jorge.
As dificuldades evidenciadas por estas equipas, especialmente na vertente feminina e nos escalões jovens, tornam imperativa uma reflexão profunda sobre os rumos a seguir. A federação, sob nova direção, depara-se com o desafio de redefinir as estratégias para que o potencial dos atletas portugueses se traduza em resultados concretos e progressos consistentes. A análise dos desempenhos recentes reforça a convicção de que a mudança de ciclo é mais do que uma possibilidade; é uma exigência para o futuro do futebol nacional.
Um Fim de Era para a Seleção Feminina
A participação das 'Navegadoras' no Euro 2025 culminou numa performance modesta, com um único ponto conquistado e um registo de apenas dois golos marcados contra oito sofridos. Este resultado contrasta negativamente com edições anteriores, onde, apesar de não terem avançado de fase, a equipa demonstrou maior capacidade ofensiva. Embora se reconheça o legado e o desenvolvimento impulsionado por Francisco Neto no futebol feminino desde 2014, a estagnação recente aponta para a necessidade de um novo impulso. A seleção parece ter atingido um teto sob a atual liderança, falhando em traduzir o crescente talento das jogadoras portuguesas – muitas delas atuando em ligas de topo – em eficácia e ideias claras em campo.
Apesar do notável avanço do futebol feminino português nos últimos 15 anos, muito impulsionado pelo trabalho de Francisco Neto, o recente Euro 2025 e o desempenho geral da equipa em 2025 (apenas 7 golos marcados e 29 sofridos em 10 jogos) mostram que o patamar de competitividade desejado ainda não foi alcançado. A equipa revelou carências táticas e uma notória falta de capacidade de finalização, afastando-se das expectativas de um salto qualitativo. Com as jogadoras portuguesas a destacarem-se em clubes de elite, tanto nacional como internacionalmente, torna-se essencial que a liderança técnica consiga extrair o máximo do potencial coletivo. A continuidade de um projeto desportivo de sucesso exige, por vezes, uma renovação para se adaptarem às novas exigências e elevarem o nível de jogo.
O Impasse nos Sub-21 e a Visão de Formação
Paralelamente, a situação da seleção Sub-21, sob a orientação de Rui Jorge por 15 anos, também exige uma análise crítica. Apesar da vasta experiência e do papel formador de jogadores para a seleção principal, a ausência de títulos é um dado que não pode ser ignorado. A insistência na ideia de que este escalão serve primordialmente para formar, e não para vencer, pode ter comprometido a mentalidade competitiva dos jovens atletas. Numa fase em que se pretende consolidar o ADN vencedor, a falta de conquistas em torneios europeus deixa uma lacuna no desenvolvimento da experiência competitiva necessária para transitar para o mais alto nível.
A visão de Rui Jorge para a seleção Sub-21, focada na formação de talentos para a equipa principal em detrimento da busca por títulos, tem sido alvo de debate. Contudo, a persistente ausência de troféus, mesmo com gerações de jogadores promissores, levanta questões sobre se essa abordagem não estaria a negligenciar a importância da cultura de vitória. Vencer em competições de juniores e sub-21 é crucial para incutir nos atletas a mentalidade e a resiliência necessárias para o sucesso no futebol profissional. A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem agora a oportunidade de reavaliar esta filosofia, procurando um equilíbrio entre a formação individual e a ambição coletiva, garantindo que os jovens talentos portugueses sejam preparados não só para jogar no mais alto nível, mas também para conquistar vitórias. Uma nova liderança poderia trazer uma perspetiva fresca, focada na combinação da excelência formativa com a ambição de conquistar troféus, forjando assim uma nova geração de vencedores para o futebol português.
