A iminente transferência de Orkun Kokçu para o Besiktas, embora não seja uma decisão unânime entre os adeptos, revela-se como um passo fundamental para o Benfica. Esta movimentação no mercado de verão não só permite ao clube recuperar o investimento realizado há dois anos, mas também assinala o início de uma indispensável reestruturação na sua linha média. O desempenho do jogador turco, que ficou aquém das expectativas, aliado a questões comportamentais, precipitou a sua saída, compelindo o Benfica a procurar uma nova abordagem tática e operacional para a próxima temporada desportiva.
A saída de Orkun Kokçu, que se tornou oficial com a sua iminente transferência para o Besiktas, era um desfecho cada vez mais previsível, dada a deterioração da sua relação com o clube e o treinador. Apesar dos esforços da estrutura encarnada para gerir a situação, um incidente ocorrido durante o Mundial de Clubes acentuou as divergências entre o jogador e Bruno Lage. A resposta do técnico às atitudes de Kokçu, que já havia desafiado a autoridade de Roger Schmidt, sublinhou a inevitabilidade de uma separação. O rendimento desportivo do internacional turco também não correspondeu ao elevado investimento de quase 30 milhões de euros, justificando a decisão da direção. Contudo, importa referir que, apesar das críticas, Kokçu foi uma escolha tática aprovada na altura da sua contratação e, em 98 jogos pelo Benfica, registou 19 golos e 22 assistências, números que, embora não deslumbrantes, também não são totalmente insignificantes. A transferência para o Besiktas, um clube pelo qual Kokçu tem afinidade, facilita não só a recuperação financeira, mas também a oportunidade para o Benfica reequilibrar o seu meio-campo, setor onde a distância para o rival Sporting se tem tornado mais notória.
Com esta mudança, o Benfica vê-se agora na posição de preencher uma lacuna vital no centro do terreno. A equipa necessita urgentemente de um novo impulso, sobretudo após a interrupção inesperada causada pela saída de Manu. A direção e a equipa técnica terão de avaliar a melhor configuração tática para a próxima campanha desportiva de 2025/26, sendo fundamental a aquisição de elementos com características complementares. Estes novos jogadores deverão ser capazes de garantir tanto a estabilidade defensiva como uma construção de jogo eficaz, gerindo o ritmo da partida e promovendo a circulação de bola pelo interior, aspetos em que as águias evidenciaram falhas significativas recentemente. A reforma mais premente e impactante será, sem dúvida, a do motor da equipa.
A remodelação do meio-campo do Benfica, impulsionada pela partida de Kokçu, representa um momento decisivo. O clube tem a oportunidade de fortalecer uma área crucial do seu esquema tático, procurando elementos que não só se integrem na visão de Bruno Lage, mas que também reponham o equilíbrio e a qualidade que se revelaram inconsistentes na temporada transata. Esta reparação não é meramente uma substituição, mas uma reconstrução estratégica que visa restaurar a robustez e a fluidez do jogo benfiquista, elementos essenciais para o sucesso futuro.
