No atual cenário econômico, as operações de carry trade estão ganhando força novamente nos mercados emergentes. Com a diminuição da volatilidade cambial e sinais indicando que as tarifas agressivas propostas pelo presidente Donald Trump podem não ser totalmente implementadas, os investidores estão voltando suas atenções para estratégias que envolvem moedas de países em desenvolvimento. Este fenômeno tem sido impulsionado por um índice de retornos de carry trade que alcançou sua maior alta em sete anos no final de maio.
A Nova Onda de Operações de Carry Trade
Em um período marcado pela queda das tensões comerciais globais, gestores de ativos têm aumentado suas posições compradas em moedas de países em desenvolvimento. No contexto de uma volatilidade cambial global reduzida, o peso mexicano, por exemplo, atingiu sua maior alta em nove meses. A estratégia de carry trade, que consiste em tomar emprestado recursos em moedas de baixo rendimento e investir em outras com retornos mais altos, está se beneficiando significativamente desse ambiente favorável.
Ali Bora Yigitbasioglu, gestor sênior de investimentos em renda fixa da Pictet Asset Management em Londres, destacou que a flexibilização de algumas políticas comerciais da Casa Branca contribuiu para esse movimento. Entre as moedas preferidas para operações de carry trade neste momento estão o peso chileno e o won sul-coreano, que devem se valorizar após a eleição de um novo presidente na Coreia do Sul em 3 de junho.
O panorama na Ásia também reflete essa tendência. O dólar taiwanês registrou um aumento expressivo no início de maio, enquanto o dólar de Hong Kong caiu para o limite inferior de sua banda de negociação no final de maio. Ju Wang, chefe de estratégia de câmbio e taxas de juros para a Grande China no BNP Paribas SA em Hong Kong, mencionou que o yuan chinês está se tornando uma moeda de financiamento muito atrativa devido à perspectiva de maior flexibilização da política monetária na China.
Com inflação moderada em muitas economias emergentes, os rendimentos reais de seus títulos estão relativamente atrativos. Isso faz com que moedas como o real brasileiro estejam no topo da lista de posições compradas atraentes para grandes instituições financeiras.
Perspectivas e Estratégias Futuras
De um ponto de vista jornalístico, é evidente que o cenário atual oferece oportunidades únicas para investidores dispostos a explorar as nuances dos mercados emergentes. Wim Vandenhoeck, gestor sênior de portfólio da Invesco em Nova York, observou que o euro e o dólar são suas moedas de financiamento preferenciais, considerando o ambiente global atualmente benéfico para carry trades.
Anthony Kettle, gestor sênior de portfólio da RBC BlueBay Asset Management em Londres, ressaltou que financiar posições compradas em mercados emergentes utilizando o dólar americano pode ser a opção mais sensata no momento. Apesar das taxas de juros americanas estarem relativamente altas, a expectativa de uma maior desvalorização do dólar abre caminho para que várias moedas de alto rendimento na América Latina apresentem bom desempenho.
À medida que avançamos para eventos econômicos e políticos importantes ao longo desta semana, incluindo a eleição presidencial na Polônia e a divulgação de dados econômicos cruciais na África do Sul e na China, fica claro que as decisões tomadas agora terão impacto duradouro nas operações futuras de carry trade.
