A história de Nathálya Moreira dos Santos, uma mãe carioca de 29 anos, ressalta a importância de estar atento aos sinais do corpo, mesmo quando parecem triviais. O que ela inicialmente interpretou como alergias comuns ou cansaço do dia a dia, revelou-se um diagnóstico impactante de linfoma de Hodgkin em estágio avançado. Sua trajetória, marcada por um período de incertezas e a busca por respostas médicas, destaca a natureza insidiosa de certas doenças e a necessidade de desmistificar sintomas que muitas vezes são subestimados. A descoberta da doença, em abril de 2024, após meses de sintomas variados, não apenas abalou seu universo pessoal, mas também a impulsionou a compartilhar sua experiência, visando alertar outros sobre os sinais sutis do câncer e a relevância do diagnóstico precoce. A resiliência de Nathálya, impulsionada pelo amor às suas filhas, torna sua narrativa um poderoso chamado à conscientização sobre a saúde.
Nathálya, moradora do Rio de Janeiro, começou a notar alterações em seu corpo no final de 2022. Um dos primeiros e mais incomuns sinais foi a dor intensa após a ingestão de bebidas alcoólicas, um sintoma que, embora raro, está associado ao linfoma de Hodgkin em uma pequena porcentagem dos casos. Ela descreveu dores de cabeça severas e desconforto generalizado após consumir álcool, algo que ela nunca teria ligado a uma doença grave.
Com a chegada de 2023, outros sintomas começaram a surgir e se intensificar. Nathálya experimentou uma fadiga constante, exaustão extrema e sudorese noturna. Em julho daquele ano, a coceira persistente em todo o corpo se tornou um incômodo diário. Inicialmente, ela pensou que esses sintomas poderiam estar relacionados à alimentação ou a algum produto novo, desconsiderando a possibilidade de algo mais sério. No entanto, a coceira é um sintoma conhecido em casos de linfoma, causada pela liberação de substâncias pelas células tumorais que irritam as terminações nervosas da pele.
O ponto de virada veio quando Nathálya percebeu inchaços nos linfonodos do pescoço, um sinal clássico do linfoma. Embora notasse um caroço desde abril de 2023, que aparecia e desaparecia, ela não deu a devida importância. Mas, uma manhã de julho, acordou com um linfonodo grande, dolorido e quente na região da mandíbula. Essa descoberta a levou à emergência, onde iniciou uma série de exames. A tomografia revelou linfonodos aumentados nos pulmões, confirmando o diagnóstico de linfoma de Hodgkin em estágio 4, o mais avançado, em abril de 2024. A notícia foi devastadora, mas Nathálya encontrou forças em sua família para seguir em frente.
O tratamento de Nathálya começou em junho com quimioterapia, que a deixou debilitada, e agora continua com imunoterapia, um método com menos efeitos colaterais. O próximo passo crucial é um transplante autólogo de medula óssea, um procedimento onde suas próprias células-tronco serão usadas para restaurar sua medula após quimioterapia intensa. Como mãe de duas meninas, Isis, de 2 anos, e Elisa, de 8 anos, Nathálya se viu diante do desafio de explicar sua doença. Ela compartilhou o diagnóstico com Elisa, que, apesar de autista, demonstrou grande compreensão e curiosidade, rezando pela recuperação da mãe. O amor de suas filhas se tornou a principal força motriz para Nathálya enfrentar a doença, transformando sua perspectiva de vida e a fazendo valorizar cada momento em família.
O linfoma de Hodgkin é um câncer do sistema linfático, crucial para a defesa do organismo. Caracteriza-se pela presença de células de Reed-Sternberg. Embora raro, representa uma parcela significativa dos casos de linfoma e 0,5% de todos os cânceres em países desenvolvidos, com incidência estável e mais comum em homens. No Brasil, cerca de 3.530 novos casos foram estimados em 2023, afetando principalmente jovens entre 15 e 30 anos e idosos acima de 75. Fatores de risco incluem infecção por EBV, imunossupressão, fatores socioeconômicos, histórico familiar, obesidade, tabagismo e inatividade física. Os sintomas mais comuns são linfonodos inchados, tosse, dor no peito, falta de ar, febre, sudorese noturna, perda de peso e, em casos menos frequentes, dor após ingestão de álcool. O diagnóstico precoce é fundamental, sendo feito por biópsia de linfonodos e outros exames. O tratamento envolve quimioterapia e radioterapia, com altas chances de cura quando iniciado cedo.
