A linha que separa a desatenção corriqueira na infância de um diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é frequentemente nebulosa para pais e cuidadores. Enquanto a distração é uma característica natural em crianças, especialmente em um mundo repleto de estímulos digitais, é crucial reconhecer os sinais que podem indicar a presença de um transtorno do neurodesenvolvimento. Este desafio diagnóstico, que demanda o olhar de especialistas, é fundamental para assegurar o desenvolvimento pleno e o bem-estar dos pequenos, evitando que a desatenção se confunda com uma condição que exige intervenção e suporte.
TDAH: Compreendendo o Transtorno e Seus Indicadores
No dia 13 de julho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), uma data que visa ampliar o entendimento sobre essa condição neurológica. A psiquiatra Fabrícia Signorelli Galeti, da renomada Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esclarece que nem toda desatenção infantil aponta para o TDAH. O cerne da questão reside na avaliação do impacto desses comportamentos na vida cotidiana da criança – o que os profissionais de saúde chamam de \"prejuízo funcional\" – e no sofrimento que esses desafios podem acarretar. Por exemplo, uma criança que, por sua impulsividade e falta de paciência, encontra barreiras em suas interações sociais, pode estar manifestando um sinal de alerta.
Para um diagnóstico preciso, os especialistas consideram que os sintomas devem persistir por pelo menos seis meses e manifestar-se em múltiplos ambientes, como em casa, na escola e em atividades extracurriculares. O TDAH se manifesta através de 18 sintomas categorizados em duas vertentes principais. O primeiro grupo, ligado à desatenção, inclui a dificuldade em manter o foco, a facilidade em se distrair, a relutância em se engajar em tarefas que exigem maior esforço mental e episódios de esquecimento frequentes. Já o segundo grupo, focado na hiperatividade, abrange a agitação constante, a impulsividade verbal e física, e a tendência a se expor a riscos. Vale ressaltar que o diagnóstico não exige a presença de todos os 18 sintomas; seis deles em crianças e adolescentes, ou cinco em adultos, já são suficientes para embasar a avaliação clínica.
O psiquiatra Guilherme V. Polanczyk, professor da Faculdade de Medicina da USP e especialista em psiquiatria da infância e adolescência, enfatiza que o transtorno geralmente se manifesta nos primeiros anos de vida e vai além da simples desatenção, abrangendo uma série de dificuldades. Ele também destaca uma preocupação crescente: crianças com TDAH tendem a ser mais suscetíveis ao uso excessivo de eletrônicos, pois as telas, ao capturarem a atenção de quem já possui menos controle sobre ela, elevam o risco de desenvolver dependência.
A conscientização e o acesso à informação são os primeiros passos para que as famílias identifiquem precocemente os sinais e busquem o suporte adequado. O entendimento do TDAH não apenas oferece clareza e alívio para os pais, mas também abre caminhos para intervenções eficazes que podem transformar a trajetória de desenvolvimento da criança.
