O movimento Abrace a Serra da Moeda organiza um protesto no alto da cadeia montanhosa para destacar a necessidade de proteger os recursos hídricos e as nascentes locais. Este ano, com o tema "A água nos une, juntos pela vida", espera-se reunir cerca de três mil pessoas na próxima segunda-feira (21/4), às 10h, no Topo do Mundo, em Brumadinho. O evento inclui apresentações culturais e busca conscientizar autoridades e população sobre os riscos ambientais causados por grandes corporações.
A atividade também chama atenção para ameaças específicas, como a mineração que pode comprometer lençóis freáticos, a extrativa exagerada de água por indústrias e megaempreendimentos imobiliários sem estudos adequados de impacto. A advogada ambientalista Beatriz Vignolo alerta sobre projetos minerários perigosos e a falta de eficácia de acordos firmados para mitigar danos já existentes.
Impactos Industriais na Região
Um dos principais problemas enfrentados pela região é a exploração excessiva de recursos naturais pelas indústrias instaladas próximas à Serra da Moeda. Empresas mineradoras têm promovido intervenções significativas que colocam em risco as reservas hídricas. Além disso, uma fábrica de bebidas localizada em Itabirito retira milhões de metros cúbicos de água mensalmente, exacerbando a escassez em comunidades vizinhas.
A mineração tem sido historicamente um dos maiores desafios ambientais para a região. Projetos como a reativação da Mina Serrinha pela Vale e a ampliação da produção da Mina Pau Branco pela Vallourec intensificaram preocupações com o rebaixamento do aquífero Cauê. Estudos recentes revelam quedas significativas no nível deste lençol freático, chegando a aproximadamente 90 metros entre 1999 e 2019. A situação poderá piorar até 2039 se medidas não forem adotadas. Paralelamente, a Coca-Cola contribui para a crise hídrica ao extrair volumes elevados das nascentes da área, afetando diretamente comunidades como Suzano e Campinho, onde moradores dependem de caminhões-pipa desde 2015. Acordos como o TAC assinado entre várias partes têm falhas estruturais, permitindo compensações financeiras que beneficiam entidades externas ao município de Brumadinho.
Megaempreendimentos e Futuros Desafios
Outro ponto central do protesto será a discussão sobre um grande projeto imobiliário planejado para abrigar 200 mil pessoas na região. Esse desenvolvimento carece de estudos detalhados sobre seus impactos sobre o suprimento de água. O licenciamento ambiental desse complexo está sob análise judicial após questionamentos técnicos.
O megaempreendimento denominado CSul Lagoa dos Ingleses representa um novo capítulo nas ameaças ambientais à Serra da Moeda. Com capacidade para uma população maior do que muitas cidades mineiras, o projeto foi licenciado sem considerar adequadamente os impactos sobre o aquífero local. A legalidade desse processo está sendo avaliada por meio de perícia técnica solicitada pelo Ministério Público, cujo resultado ainda aguarda decisão final. Enquanto isso, lideranças locais como Beatriz Vignolo criticam o modelo atual de privatização de lucros empresariais e socialização de prejuízos, especialmente em relação ao uso irresponsável dos recursos hídricos. O protesto visa unir esforços para garantir que decisões futuras priorizem o bem-estar coletivo e a sustentabilidade ambiental.
