Esta reportagem narra a tocante experiência de uma família brasileira que se viu imersa na realidade de um país em conflito. A história de Raquel Canguçú Zveibel, uma arquiteta que buscou em Israel um futuro promissor para seus filhos pequenos, se tornou um exemplo de adaptação e força diante das adversidades. A narrativa explora como, mesmo em um ambiente de constante alerta e incerteza, o amor e a dedicação parental podem criar um refúgio de normalidade e segurança para as crianças, ao mesmo tempo em que destaca a resiliência humana em situações extremas.
Rotina e Resiliência em Tempos de Conflito em Israel
Em maio de 2025, a arquiteta brasileira Raquel Canguçú Zveibel, vinda de Belo Horizonte, Minas Gerais, e seu marido, juntamente com seus dois filhos, Ben, de 2 anos, e Dan, de 1, estabeleceram-se em Harish, uma cidade ao norte de Israel. Mal sabiam eles que, apenas três semanas após a mudança, em 13 de junho do mesmo ano, a região seria palco de um intenso conflito militar entre Israel e Irã, que apoia grupos armados rivais. A decisão de migrar para Israel era de longa data, impulsionada pelo desejo do marido de Raquel, um judeu, de retornar ao país que ele considerava um porto seguro para seu povo. Além disso, a família vislumbrava em Israel um cenário de abundantes oportunidades, com um mercado de trabalho vigoroso, um sistema de saúde eficiente e uma educação pública de excelência, elementos que prometiam um futuro melhor, sobretudo para as crianças.
A chegada da família coincidiu com o início das hostilidades, transformando a nova rotina em um exercício diário de cautela e adaptação. Raquel expressou profunda apreensão, especialmente pela segurança de seus pequenos. Nos primeiros dias do conflito, o marido permaneceu em casa, oferecendo suporte integral. À medida que a situação se estabilizava, ele retomava suas atividades laborais, sempre atento aos alertas sonoros. A vida cotidiana passou a ser permeada por sirenes e a necessidade de buscar refúgio em espaços protegidos. Os apartamentos em edifícios mais recentes, por lei, devem possuir um 'quarto seguro' — um cômodo blindado e hermeticamente vedado, projetado para oferecer proteção contra ataques. Em construções mais antigas, existem bunkers subterrâneos ou compartimentos seguros por andar, e as cidades também dispõem de abrigos comunitários. Raquel mantém um estoque de alimentos e água, preparada para qualquer eventualidade. Apesar da gravidade do cenário, a família brasileira demonstra uma notável capacidade de adaptação, encontrando momentos de leveza e normalidade, como visitas a parques infantis, sempre com um olho no aplicativo de segurança que avisa sobre os ataques iminentes e a necessidade de abrigo.
Apesar da incerteza e da tensão que acompanham a vida em uma zona de conflito, a família Zveibel não considera o retorno ao Brasil. Raquel enfatiza que, mesmo em circunstâncias desafiadoras, Israel é um local seguro, especialmente para as crianças, devido às infraestruturas de proteção e à distância dos principais alvos. A resiliência demonstrada por Raquel, que se mantém forte por seus filhos, e a rápida adaptação de Ben e Dan aos alertas e à rotina de busca por segurança, sublinham a capacidade humana de encontrar estabilidade e esperança mesmo em meio ao caos. Eles vivem com a esperança de que a paz prevaleça e que a normalidade retorne à região.
Uma Perspectiva de Resiliência em Meio ao Conflito
A história de Raquel Canguçú Zveibel e sua família em Israel é um poderoso lembrete da resiliência inata do espírito humano, especialmente quando se trata de proteger e nutrir os mais vulneráveis. Como observador, fico profundamente tocado pela coragem e pela capacidade de adaptação que esta mãe e seu marido demonstram. Em um mundo onde as manchetes muitas vezes nos apresentam apenas o horror e a destruição, é inspirador ver como, mesmo sob a sombra constante do conflito, a vida cotidiana com seus pequenos rituais e a busca por momentos de alegria persistem. Isso nos leva a refletir sobre a força inabalável do vínculo familiar e a determinação dos pais em criar um ambiente de segurança e normalidade para seus filhos, independentemente das circunstâncias externas. Além disso, a capacidade das crianças de se adaptarem a uma rotina tão incomum, como correr para o bunker ao som de uma sirene, é um testemunho da sua própria resiliência, muitas vezes subestimada, e da eficácia do apoio e da tranquilidade oferecidos pelos pais. Esta narrativa não é apenas um relato de adversidade, mas uma ode à esperança, à adaptabilidade e ao amor incondicional que impulsiona as famílias a seguir em frente, mesmo quando o futuro é incerto.
