A recente introdução dos medicamentos Olire e Lirux no mercado farmacêutico brasileiro, a partir de 4 de agosto, desencadeou um debate crucial sobre a possível influência desses fármacos na eficácia dos contraceptivos orais. Essa preocupação surgiu em decorrência de um alerta emitido em junho pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) a respeito do Ozempic e Mounjaro, que poderiam comprometer a ação de contraceptivos hormonais. Contudo, é imperativo diferenciar as substâncias ativas desses medicamentos para uma compreensão clara dos riscos e orientações. As canetas Olire e Lirux, embora popularmente associadas ao “Ozempic brasileiro”, possuem a liraglutida como princípio ativo, distinta da semaglutida e tirzepatida presentes no Ozempic e Mounjaro, respectivamente. Até o momento, não há indicações de que a liraglutida afete a eficácia dos contraceptivos hormonais, conforme esclarecimentos do diretor médico da EMS. No entanto, é fundamental que as pacientes busquem aconselhamento médico para qualquer dúvida, especialmente aquelas que planejam engravidar ou estão amamentando.
As canetas Olire e Lirux são produzidas pela farmacêutica EMS, em sua fábrica localizada em Hortolândia, São Paulo. Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto Lirux é indicado para o controle do diabetes tipo 2. Estes medicamentos estão disponíveis no mercado com preços que se iniciam em R$ 307,26.
Em contraste, o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida), utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e para perda de peso, podem influenciar a absorção de outros medicamentos, incluindo os contraceptivos orais, devido ao retardo no esvaziamento gástrico. A endocrinologista Lenita Zajdenverg explica que, no caso da semaglutida, esse retardo geralmente não afeta a eficácia contraceptiva, a menos que ocorram vômitos logo após a ingestão do anticoncepcional. Já a tirzepatida pode provocar um atraso mais significativo na absorção de medicamentos, o que pode, de fato, reduzir a eficácia do contraceptivo oral. As bulas de ambos os medicamentos trazem essas advertências.
É crucial ressaltar que a liraglutida, princípio ativo de Olire e Lirux, não é recomendada para mulheres que buscam a concepção. O diretor médico da EMS, Iran Gonçalves Jr., orienta a suspensão do uso antes da gravidez, sempre sob supervisão médica. Quanto ao período de amamentação, as informações da bula indicam que a decisão de uso deve ser criteriosamente avaliada e acompanhada por um profissional de saúde, pois não se sabe se a liraglutida pode ser transmitida pelo leite materno ou causar danos ao bebê.
A introdução de novos tratamentos no mercado sempre suscita discussões e a necessidade de clareza sobre suas interações com outras medicações. A distinção entre os princípios ativos de Olire e Lirux em relação a Ozempic e Mounjaro é fundamental para tranquilizar pacientes e profissionais de saúde quanto ao uso concomitante com contraceptivos hormonais, desde que as devidas precauções e orientações médicas sejam seguidas, garantindo a segurança e o bem-estar das pacientes.
