A vida de Francisca Bárbara Nayara da Silva, uma empreendedora de 36 anos de Erechim, Rio Grande do Sul, é um testemunho de resiliência e amor incondicional. Após a identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em seus cinco filhos, Bárbara iniciou uma jornada de autoconhecimento que a levou a descobrir seu próprio diagnóstico de autismo. Essa revelação não apenas validou suas experiências de vida, mas também a impulsionou a se tornar uma defensora ainda mais dedicada da neurodiversidade, buscando ativamente o suporte adequado para sua família e compartilhando suas vivências para educar e inspirar outros.
A jornada diagnóstica da família começou com seu filho mais velho, Miguel, aos três anos. Bárbara notou atrasos na fala, dificuldades de interação e comportamentos repetitivos. Embora inicialmente hesitante, a persistência da escola a levou a buscar ajuda profissional. Após quase dois anos de terapias intensivas, Miguel foi diagnosticado com autismo Nível 1 de Suporte e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) aos sete anos. A percepção de que suas filhas mais velhas, Maria Luiza e Maria Rita, também apresentavam características semelhantes foi inicialmente recebida com ceticismo por alguns profissionais, que inclusive duvidavam da existência do autismo em meninas. No entanto, Bárbara, munida de conhecimento e instinto materno, insistiu na investigação, culminando no diagnóstico de autismo Nível 1 para Maria Rita aos nove anos, e posteriormente para Maria Helena aos cinco e Maria Luiza aos onze anos. A caçula, Maria Madalena, com apenas um ano, foi diagnosticada com autismo regressivo de Nível 3 de Suporte, apresentando sinais clássicos do TEA e perda de habilidades. Esses diagnósticos múltiplos foram acompanhados por um período de luto e culpa para Bárbara, que lamentava a falta de apoio precoce para suas filhas, resultando em ansiedade e crises para as mais velhas.
Contudo, foi o processo de avaliação das filhas que desencadeou em Bárbara a percepção de suas próprias características neurodivergentes, levando-a a uma avaliação detalhada que confirmou seu autismo em 2024. Essa descoberta, embora inicialmente difícil de aceitar devido a estereótipos, permitiu que ela finalmente se libertasse da necessidade de 'fingir' ser neurotípica, encontrando no diagnóstico uma ferramenta para entender suas limitações e utilizar recursos para seu bem-estar. Inspirada por sua própria vivência e pela de seus filhos, Bárbara criou um perfil no Instagram, @barbarabs05, para compartilhar sua rotina e conscientizar sobre a maternidade atípica e o autismo, com foco especial nos sinais muitas vezes sutis em meninas e na importância do diagnóstico precoce. Ela defende que o autismo não é um rótulo, mas uma libertação, essencial para que cada indivíduo autista compreenda seu funcionamento e lute pelo respeito e espaço na sociedade, enfatizando que a hereditariedade, embora seja um fator significativo, interage com condições ambientais na manifestação do transtorno.
A história de Bárbara e sua família é um poderoso lembrete de que a aceitação e a compreensão da neurodiversidade são cruciais para construir uma sociedade mais justa e inclusiva. Ao abraçar suas próprias características e as de seus filhos, Bárbara não apenas superou desafios pessoais, mas também se tornou uma voz ativa na promoção do respeito e da valorização das diferentes formas de ser e interagir com o mundo. Sua jornada ilumina o caminho para um futuro onde o diagnóstico precoce, o suporte adequado e a empatia pavimentem o reconhecimento pleno da dignidade e do potencial de cada indivíduo, independentemente de sua neurotipo.
