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Sono na Adolescência: Fisiologia, Desafios e Orientações para Pais

A transição da infância para a adolescência traz consigo uma série de mudanças notáveis, e o padrão de sono é uma das mais evidentes. Enquanto nos primeiros anos de vida a preocupação dos pais está centrada na falta de sono dos bebês, com a chegada da adolescência, a dúvida inverte-se: seria normal que os adolescentes durmam tanto? Este fenômeno, frequentemente interpretado como preguiça ou desinteresse, é, na verdade, uma complexa interação entre fatores biológicos e sociais que moldam o ciclo sono-vigília dos jovens.

As preocupações dos pais, embora mudem de foco, permanecem constantes ao longo do desenvolvimento dos filhos. A percepção de que adolescentes sentem uma sonolência mais acentuada é bastante comum. No entanto, a hebiatra Luiza Silva, pediatra especializada em adolescentes e orientadora parental, esclarece que a questão não reside necessariamente na quantidade de horas de sono, mas sim na alteração do seu horário. A puberdade desencadeia uma série de transformações hormonais no corpo do adolescente. Entre elas, destaca-se a mudança no padrão de liberação da melatonina, o hormônio crucial para induzir o sono. Nos adolescentes, a produção de melatonina começa mais tarde, resultando em uma demora para sentirem sono e, consequentemente, o desejo de prolongar o descanso matinal. Essa fisiologia explica a dificuldade que muitos enfrentam para acordar cedo e se preparar para as atividades escolares ou outras obrigações matutinas.

Além das mudanças hormonais, a especialista enfatiza o impacto da vida social intensificada na adolescência. Comparado à infância, este período é marcado por um aumento de demandas sociais, atividades extracurriculares e interações com amigos, que muitas vezes se estendem até tarde da noite. O desafio para os adolescentes e suas famílias é encontrar um equilíbrio entre as necessidades fisiológicas do corpo e as exigências de um estilo de vida socialmente ativo. A privação de sono, alertada pela hebiatra, não resulta apenas em cansaço físico, mas está fortemente ligada a distúrbios de saúde mental, um aumento de comportamentos de risco, sedentarismo e desregulações hormonais mais amplas, impactando o bem-estar geral e o desenvolvimento dos jovens.

Diante desse cenário de transformações intensas, é fundamental que as famílias se empenhem em estabelecer e manter uma rotina de sono consistente para os adolescentes. Isso inclui definir horários regulares para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana, para ajudar a regular o relógio biológico. Além disso, a criação de um ambiente propício ao sono é essencial. Medidas simples como diminuir as luzes da casa e limitar o uso de telas — como celulares, tablets e computadores — nas horas que antecedem o sono são atitudes importantes para promover um descanso adequado. Tais práticas auxiliam na produção natural de melatonina e contribuem para a qualidade do sono, que é vital para a saúde física e mental dos jovens nesta fase de crescimento e desenvolvimento.